sexta-feira, 6 de junho de 2025

Eu, consumido.

Levantei a qualquer dia, a qualquer hora,

no frio ou no calor

me entreguei, me superei

Transformei ingredientes em amor.


Sozinho, esperei.

Temperei a espera com esperança.

Enquanto na panela ferviam as expectativas,

no forno abatumava a reciprocidade.


Mesmo separando o melhor pedaço de carne,

a minha própria carne,

sou devorado, sem emoção.


O menir gourmet virou pirão,

coberto de frieza e servidão.


No fim da ceia

quem se oferece por inteiro

vira resto de si mesmo,

e na louça suja acumulada,

ficam as migalhas da indiferença.


@AdilsonDi


Destinos em movimento


Aprender ou reaprender?

Novidade ou a mesma coisa?

O que há de novo ou de velho na história?

O tempo, o lugar, os personagens…

O que comem? O que vestem? Quem são? Quem sou?


Quais hábitos, quais rumos, qual destino?

Por quê? Pra onde? Qual o próximo?


Cada rosto, cada olhar, cada expressão monta uma nova cena, revela outra realidade.


Como eu, mero viajante, saberei o próximo episódio, se o tempo todo cruzo com quem nunca viu o mar ou jamais andou de avião?

Pode ser qualquer um, pode estar em qualquer lugar.


O destino… ah, o destino…

Está sempre a se moldar, seja com o vento, a chuva, o sol ou o amar.


Lá vou eu de novo,

sem saber se é só mais um passo,

mais um voltar pra casa,

mais uma viagem…

ou simplesmente mais uma trilha a caminho dos fins.