sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Escravos em Porto Alegre


Foto ao lado é do príncipe africando Custódio, negro que viveu no RS e foi um dos grandes divulgadores de sua cultura
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Navegando no wikipédia, estava dando uma revisada nos textos sobre a independência do Brasil, e constatei que no dia 7 de setembro de 1884, foram libertados em Porto Alegre os últimos escravos da cidade. Será?

Na minha infância, peregrinávamos por vários lugares a procura de oportunidade para praticar esportes, como era o caso do Estádio dos Eucaliptos, o CETE e os campos da beira do rio, que depois se tornaram Parque Marinha do Brasil. Para acessar estes locais que ficavam no bairro Menino Deus, tínhamos de passar por uma chácara abandonada onde existiam ruínas de construções antigas que não sabíamos do que se tratava.

Lembro-me perfeitamente das construções que existiam ali, que em geral causavam-me curiosidade tremenda, no qual tentava elucidar com meus pais, que nunca tinham uma explicação coerente a respeito do assunto. Também pudera, ambos tinham somente ensino básico, e uma cultura direcionada as coisas do campo, desconhecendo detalhes da história da cidade.

Nas passagens por este lugar, vem a minha memória a imagem daquelas ruínas, onde se encontravam uma grande casa, cercada por outras menores, e outra que me assustava muito, pois era afastada das demais e tinha em sua frente, um tronco cravado, com muitas argolas penduradas nele.

Eu e meus amigos passávamos corriqueiramente por ali, pois era local de acesso as nossas possibilidades de aprendizado esportivo. Nossa turma era composta em sua grande maioria de meninos negros, que naquela época repassavam ao garoto de pele alva e olhos coloridos, todo preconceito sentido por eles noutros lugares, chamando-o de branquélo, branco sujo, e outras ofensas.

Nosso receio em passar por aquele lugar lúgubre já era grande, devido as diversas histórias contadas pelos antigos, que narravam histórias bizarras de fantasmas e outros fatos assustadores que aconteceram naquele lugar.

Aquele lugar mórbido nos causava calafrios, principalmente quando passávamos frente tal casa afastada, que na época não sabíamos do que se tratava. Eu e meus muitos amigos negros passamos por ali durante muitos anos, ate começarem a urbanizar nossa região. Ainda hoje pessoas acessam o bairro Menino Deus através desta antiga chácara, desconhecendo o que existira outrora ali. Hoje existe uma grande empresa de telefonia e um condomínio residencial de luxo.

Em nossa ingenuidade de crianças, não sabíamos que ali era uma antiga casa grande, e que aquela casa afastada tinha abrigado em tempos remotos, homens negros cerceados de sua liberdade, que serviam de mão-de-obra gratuita, e que ali sucumbiram na ponta do chicote ou na labuta do dia-a-dia. Tudo ao redor daquela casa era gélido rememorando o terror que tinha daquele lugar.

Tenho 38 anos, e a data citada no wikipédia tem 123 anos, ou seja, a diferença de minha idade e a data da libertação dos últimos escravos em nossa cidade é de apenas 85 anos. Este cálculo nos revela que muitos de nossos avós ainda viviam nesta época de atrocidades, e que ainda hoje carregam na historia dos homens negros, a perseguição de sua cor, limitando sua participação no mercado de trabalho e outras atividades sociais.

Lógico que o termino da escravidão e os dias atuais é muito curto, mas esta raça de guerreiros africanos, tem na história de nossa cidade, passagem fundamental em sua existência, como o caso dos atletas Ronaldinho Gaúcho e Daiane dos Santos, do Músico Lupicínio Rodrigues, do Senador Paulo Paim e outros tantos.

Espero que o Brasil desenvolva toda sua população por igual, sem distinção de credo, raça, origem, e que os negros gaúchos espelhem-se no nobre exemplo do juiz do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que esta dando um show da capacidade deste povo, no julgamento dos pilantras que participaram do esquema do Mensalão do PT.

Essa é dedicada para meus amigos, Gisa, Clóvis, Tânia e Juliana, grandes militantes dos direitos do negro na cidade de Porto Alegre, ao qual desejo todo sucesso do mundo em sua luta.

Independência sim, morte não.


Analisando friamente a frase proclamada no dia 7 de setembro de 1822, pelo então príncipe regente do Brasil, Dom Pedro, ao qual era o representante do Império Português em nossas terras, podemos dizer que de independência não tivemos nada, muito ao contrário, foi neste ato que a burguesia brasileira alcançou a glória, aumentando a grande diferença entre pobres e ricos, pois as elites deixaram de pagar os altos impostos ao império português, e começaram a ter privilégios econômicos e políticos, frente ao proclamado ato de independência.

Como em toda historia de rei e rainha ao longo da epopéia da humanidade, a independência do Brasil na verdade significou a emancipação financeira dos filhinhos do papai imperador português, que desde a chegada da família real no dia “12 de outubro” de 1808, (coincidentemente dia da criança) planejaram este golpe.

Não bastando o grande salto dos membros da corte brasileira, tivemos ainda a significativa benevolência da Grã-bretanha, que generosamente concedeu-nos uma vultosa quantia a título de empréstimo, a fim de comprarmos o direito a independência junto à coroa portuguesa, iniciando assim a tão famosa divida externa brasileira. Ainda, por sugestão do imperador Dom João VI, que em 1808 criou o Banco do Brasil, os independentes sacaram toda reserva de capital deste, para que fosse levada junto com o dinheiro britânico a Portugal, sendo que esta instituição em 1829 não resistiu e foi o primeiro banco brasileiro a quebrar.

O que mudou desde então? Os bancos pararam de quebrar, paramos de pedir dinheiro a povos estrangeiros, a elite brasileira começou a dividir seus lucros com as classes mais baixas, os conchavos do poder cessaram, e deixamos de ser crianças ingênuas que seguem seus tutores (governantes) cegamente, sem contrariar suas imposições. Pois é, nada mudou, e ainda, o decorrer da história foi uma universidade aos espoliadores do povo, que todos os dias aprendem novas formas de surrupiar os míseros tostões ganhos pelos trabalhadores.

Como no velho testamento, precisamos ter uma revolução cultural no Brasil e no mundo, a fim de amenizar os efeitos desta avareza dos soberanos brasileiros. Esta revolução precisa inverter a roda econômica, política e hoje em dia jurídica, pois os criminosos de colarinho branco deveriam cumprir penas muito maiores que os simples ladrões de galinha, que são os únicos que são condenados neste país.

Eu faço minha parte fazendo este relato a vocês, e também exercendo a cidadania, onde ensino muitas pessoas a buscarem através da organização de coletivos, a cidadania tanto esperada.

Desejo que vocês busquem dentro de si, o espírito da rebeldia social, a fim de encontrar-mos as soluções para os grandes paradigmas sociais que afligem nossa nação, para que um dia, possamos realmente dizer que o Brasil não morreu, e sim alcançou plenamente sua independência.

Independência sim, morte não.

era da infidelidade virtual


Antigamente sob longas vestes, sejam vestidos ou batinas, as pessoas escondiam sua sexualidade. Hoje com o advento da internet, as pessoas entraram na era da infidelidade virtual. São dezenas de blogs, aplicativos, oportunidades para trair ou não apegar-se, onde as pessoas ficam conectadas com todos pretendentes e amantes ao mesmo tempo, e pior, ludibriando a todos.