quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Questionamentos intermináveis

não, não vou fazer
não, não sou isso
não, nunca fui lá
não, não sei quem é
olhou pra mim? Não vi
Meu celular? O que tem? Pode! Pode olhar.
Quem é esta pessoa? Alguém que conheço.
Por quê ela ligou? Porque queria falar comigo
Por quê ela queria falar comigo? Porque temos assuntos em comum
Que assuntos são estes? Assuntos profissionais, de amizade, carinho...
Se eu tenho carinho por ela? Claro que tenho, é alguém especial
Se ela é mais especial como você? Ela é tão especial quanto você!
Se estou apaixonado por ela? Não, não estou
Olha, to cansado, vou dormir
Se não te amo mais? 
Sim, te amo! Por isso vou dormir, assim evito brigar com você
...? ...? ...?
(lembro que isso aconteceu inúmeras vezes em muitos relacionamentos. Será que isso acontece nos outros ?)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

meus calçados nostálgicos

Andei descalço, usei sapatinhos de croché, sandalhinhas e botinhas ortopédicas.

Usei havaianas, conga, bamba e kichute.

Usei tênis marca diabo, tênis chulezento de meus irmãos mais velhos e outros que depois de estropiados por eles ficavam pra mim.

Desenhei nos meus tênis yatch e num outro parecido que tinha cadarços.

Comecei a trabalhar aos quatorze anos e finalmente consegui comprar meu primeiro adidas três listras (marathon).

Usei all star, nike e outras marcas, mas logo em seguida comecei com botas west coast.

Achei ter chegado ao topo do mundo quando usei tênis branco com meias brancas tipo jogador de tênis, mas o uniforme ficava ainda mais completo com bermuda branca e camisa polo com um jacarezinho no peito.

Época em que ficar igual aos modelos de revistas masculinas (playboy, homem, penthouse...) era o supra sumo da soberba, pois ficávamos melhores do que éramos, mais bonitos, glamourosos com cara de rico.

Ledo Engano, eu ostentava um status que não era a minha cara, pois eu era bem mais feliz quando eu gozava da simplicidade de minha pré adolescência, pois era o período da minha vida em que tudo era brincadeira e que meninas eram legais somente para brincar de pega-ajuda com a gente. Nem pensávamos que meninas pudessem despertar outras tentações que eram resolvidas com nossas próprias mãos quando olhávamos um seio que se expunha na capa da revista.

Quantas vezes eu retornava do matagal na frente de minha casa com meus kichutes tapados de barro, pega-pegas, bosta de vaca, e lá vinha ela, minha rainha, cuidar mais uma vez de mim e de minhas coisas, época que eu nem dava importância para a preocupação que ela tinha comigo.

Hoje sei o quanto cada gesto simples daquela que me dera a luz era importante. Cada surra que tomei me tornou um homem melhor. Cada bronca uma evolução. Cada carinho era compensado com um sorriso.

Congas lembram-me dos tempos em que meu bairro ainda era área rural, onde tinham agricultores, trabalhadores, contadores de histórias e lendas. Muitas histórias que de vez em quando brotam das profundezas de minha memória, como aquela do preto velho que em todos natais fazia o terno de reis em nossa casa, só para ganhar uma cachacinha e um agrado de nossa família.

Que saudades do meu bamba, momento em que as meninas da escola me olharam com outros olhos, aqueles olhos de ó, ele evoluiu.

Meu kichute me lembra que um dia tentei jogar futebol, ser corredor e saltar em altura. Também lembra dos amigos que nem sei mais quem são, mas que um dia brincaram nos parques da vida. Lembra da goleada que tomamos quando tentamos montar nosso primeiro time de futebol. Eu era tão ruim como jogados que me colocavam no gol ou na reserva, mas na reserva era legal, porque eu onde eu ficava aprontando todas enquanto os mais habilidosos ficam lá a chutar bolas e canelas.

Que nostalgia que meus caçados me trazem, deu até vontade de comprar um kichute, mas o chulé que eu tinha, nunca mais quero ter.

Será que eu era mais feliz quando meus pés não cheiravam bem, quando minhas pernas eram cambitos cheios de feridas, quando minha cara tinha muitas espinhas, e todos os dias eu jantava na presença de meus pais e irmãos?

Não sei, o tempo passou, ele e ela se foram, eles não jantam mais comigo, mas eu continuo a andar, mesmo com outros tipos de calçado sem grifes, mas cá estou para poder registrar que por meus pés já passaram-se calçados, amores, família, caminhos, experiências e hoje são lembranças e saudades de tempos de outrora.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

Um instante a mais


Por que comemoramos casamento, se com ele abro mão de minha liberdade em detrimento do compromisso inexoravel de agradar para o resto da vida a pessoa o qual faremos juras de amor.
Por que comemoramos um nascimento, se com ele vem inevitavelmente o crescimento demográfico, o aumento do consumo e a diminuição da oferta de leitos hospitalares, classes escolares, alimentos e espaços nas ruas.
Por que comemoro aniversário, se ele significa que com o passar dos dias iremos nos afastando cada vez mais do que mais amamos (colo, brinquedos, ingenuidade, pais...)
Por que comemoramos passar de ano e formatura, se com o fim do período letivo iremos nos despedir de nossos colegas e dos momentos de aprendizado e alegria que passamos com eles.
Enfim, por que comemoramos um momento a mais, se com ele estamos cada vez mais próximos do fim.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pedras na vidraça

Sabes do meu respeito pelo amigo, mas o que está nas ruas não é meramente um bando de analfabetos políticos, muito ao contrário, são jovens que estavam atras de telas de computador absorvendo todo tipo de informação possível, ouvindo ao longe seus pais reclamarem o tempo todo que não tem grana pra isso ou para aquilo. Quando saiam às ruas esperavam quase uma hora para pegar um ônibus, entravam na lata de sardinha, ficam de pé, com um monte de gente mal intencionada bolinando meninas e batendo carteiras. Chegavam em escolas precárias que vão desde fachadas horríveis, a classes quebradas, banheiros imundos, sendo atendidos por professores insatisfeitos que mais reclamam do salário do que dão aulas. No intervalo vão encontrar centenas de outros jovens que em casa sofrem todo tipo de humilhação e abuso, sendo que alguns extravasam refletindo suas vivencias de forma violenta, tanto física quanto emocionalmente sob os demais. Aos poucos juntam-se afinidades e ai vão se formando gangs (bondes) que saem para as ruas para cometer todo tipo de barbárie. Ora, estamos falando de uma ínfima minoria que sucumbe aos maus tratos sociais, sendo que todo o restante é vitima do que este sistema lhe impõe, e voltam para casa com a revolta de não poder fazer nada contra seus opressores. Alguns chegam e veem uma mãe sofrida que alem de ter que trabalhar quase 18 horas por dia, ainda tem que aturar um pai bêbado, violento e ausente. Para exilar-se desta situação volta aos confins do mundo virtual ou sai às ruas para espairecer onde novamente encontra aqueles que ja sucumbiram para o lado do mal, sendo que mais uma vez é tentado ou é humilhado na porta de sua comunidade.

Este é um breve relato do que REALMENTE é esta sociedade, pois EU VIVI isso na minha infância e adolescência e graças a uma família virtuosa e trabalhadora não sucumbi da mesma forma que cerca de 80% dos jovens que se criaram comigo, sendo que muitos morreram das formas mais brutais e estupidas, outros foram presos, outros vivem a mercê do vício do álcool e drogas, em comunidades carentes de todo tipo de infraestrutura básica e até mesmo vivem na rua.

Pois é, para aqueles que pensam que o mundo nasce numa escola particular ou numa publica que fica mais na área central, não sabe realmente o que acontece ao seu redor. O mundo é muito injusto com a grande maioria da sociedade, e aqueles jovens que leem vorazmente todo tipo de informação na internet, estavam esperando um grito de GOL SOCIAL para poder sair as ruas e dizer chega a todo tipo de ato e omissão do poder público sob seu mundo. Em suas leituras encontram todo tipo de vergonha com o dinheiro que deveria servir para melhorar seu ônibus, sua escola, seu bairro, seu posto de saúde, sua rua e toda sua cidade, mas enquanto isso ele vê que o ex Presidente da República tem em seu filho um dos maiores bilionários do mundo, que os parlamentares corruptos cassados voltaram para suas cadeiras e ainda assumiram a chefia das casas legislativas. Que prefeitos e vereadores aumentaram seus salários, enquanto não deveriam receber nada, pois política NÃO É UMA PROFISSÃO, mas sim recebe uma procuração social para defender o direito e as expectativas que o povo lhe outorga por um período ínfimo de tempo, pois se fosse uma profissão, todos parlamentares deveriam bater ponto e atenderem todo telefonema que chegar ao seu gabinete, mas isso vereador, não acontece.

Prezado, o que está posto não é uma mera repulsa a um político específico, e sim a todo um sistema político ridículo que é imposto ao povo desde as eras remotas do império, e que até hoje é defendido intransigentemente dentro de templos capitalistas onde a ajuda ao meu irmão próximo é muito mais importante que àqueles que estão ali no outro lado da rua.

Os partidos viraram balcões de negócio enquanto deveriam exercer a fundo a cidadania, tendo em seus quadros pessoas que fossem até o seio da comunidade fazer o atendimento básico REPRESENTANDO A AGREMIAÇÃO PARTIDÁRIA E NÃO UM PARLAMENTAR ESPECÍFICO, pois este personalismo é a grande chaga da política brasileira, pois se o partido fosse uma verdadeira representação dos anseios sociais, os políticos jamais teriam problemas em suas vidraças.

Um abraço

sábado, 27 de junho de 2015

Vamos colorir a vida

kkkkk, sábado, vou te contar. Acordei vendo quanto a maioria dos brasileiros tem medo de descobrirem que são gays, sim, vieram com palavras de ódio a quem quis entrar num simples brincadeira de colorir suas fotos. Soltaram todo tipo de verborreia para quem simplesmente soltou a criança dentro de si. Talvez tentando encontrar o pote no fim do arco-iris, talvez colorindo suas fotos como estes livrinhos que estão disseminados por todos os cantos ou realmente apoiando a liberdade que foi conseguida a muito custo dentro do país que se diz a maior democracia do mundo, mas que somente as custas de um único cidadão que não sossegou enquanto não teve o nome de seu falecido marido aprovado pela Suprema Corte Americana na certidão de óbito, afim de dividir o espólio que certamente construíram juntos, mas que provavelmente estava preso pelo estado em nome de uma legislação restritiva e retrograda. Enfim, vimos aqui a clara demonstração de intolerância religiosa propagada por ditos cristãos, sim, ditos, porque Jesus foi o cara que veio a este mundo para ensinar a perdoar e a diminuir as diferenças entre prostitutas, leprosos, mendigos e todos excluídos da sociedade de então, portanto, quem ama Jesus, ama ao próximo como a si mesmo. Vimos claramente o medo de se tornarem o que eles mais odeiam, que é figura de um sexo oposto com as mesmas características físicas que as suas, sim, é medo de saber que a qualquer momento pode gostar de alguém que é a sua cara, ai ver-se frente a frente com o desconhecido, criando o fantasma da homofobia para proteger-se de seus instintos (gênero) mais profundos. Calma pessoal, nenhum gay vai te atacar no meio da rua, nem na sua igreja, nem em sua casa, em lugar algum. Os gays hoje em dia não precisam mais esconder-se debaixo de batinas, togas, usar coturnos, para protegerem-se de seu preconceito. Eles acabam de conquistar nos EUA os mesmos direitos que foram conquistados no Brasil e noutros países que me parecem bem mais democráticos que o tal mais democrático. Relaxe, brinque, divirta-se e abra seu coração, você com certeza vai ter uma vida bem mais feliz que esta sua vida de mimimi´s... Bote cor na sua vida seus chatos, kkkkk

sábado, 23 de maio de 2015

Feitiço de Áquila moderno

Como no romance em que apaixonados quase conseguem tocar sua paixão no limiar entre o ocaso e o nascente, hoje em dia as diferenças sociais impossibilitam o amor numa linha similar. Quando um pobre tenta tocar suas paixões disponíveis a classes mais abastadas, o  abismo social abre-se sob os pés dos apaixonados, impossibilitando que um transponha o preconceito entre uma classe e outra. Só o amor supera os obstáculos, tenha humildade ao subir ou descer seus degrais sociais, pois todos somos iguais frente o obscurantismo de qualquer que seja sua vivência.

sábado, 17 de janeiro de 2015

CARNAVAL DE BLOCOS DE RUA Porto Alegre

Lembro daquele dia que estava tomando uma ceva no Bar e Restaurante Copão com o Marcelo Elias e outros amigos, quando veio a Iolanda, aquela vendedora de incensos de cabelos roxos, convidando para nos juntarmos ao bloco dos loucos que tava se formando ali na Sophia Veloso. Daqui há pouco veio aquela gente feliz fazendo a maior festa e arrastando quem gosta da coisa junto com eles. 

Contagiados entramos na folia naquele momento da passagem e em seguida voltamos pro boteco. Ainda em êxtase proferi a seguinte frase: "isso vai dar o que falar, isso só tem a crescer", pois infelizmente os portoalegrenses como nós adoram ir pra Laguna e outras praias de SC e acabam não aproveitando a Rua do Perdão que acontece exatamente na terça-feira de carnaval. No outro ano o Bloco Maria do Bairro já tinha um contingente maior, formado inclusive pelas velhinhas do asilo da rua. Estávamos lá anonimamente divulgando de boca em boca o encontro do bloco, com tímidas participações do poder público e imprensa, que ajudaram graças a exposição do Miltinho Talaveira e demais membros do bloco. 

Anos depois começaram a rolar apresentações do Instituto Brasilidades e outros grupos ali na Travessa dos Venezianos, novamente falei, isso vai bombar. Não deu outra, os domingos da Travessa foram um sucesso, ainda mais quando o Turucutá Batucada Coletiva Independente fez um arrastão junto com o Bloco da Laje, desde o Largo Zumbi dos Palmares, passando pela João Alfredo até chegar na Travessa, inaugurando uma nova fase do carnaval de rua da Cidade Baixa. No outro ano surgiram outros blocos e não pararam mais de crescer.

Fico muito feliz por ter participado anonimamente como voluntário na divulgação dos primeiros eventos e agora com a entrada efetiva do poder público e da imprensa gaúcha nas festas de rua em Porto Alegre, mas ainda existe muito a fazer, pois estes blocos tem que ter o respaldo da grandeza que eles representam para cultura popular e a retomada responsável dos espaços públicos.
Bom carnaval a todos. Como minha mãe dizia: juízo