terça-feira, 8 de março de 2016

Dia da Mulher

Até então era utopia, e quem diria, que um dia, a mulher iria conquistar tudo que lhe é direito. Ainda não é pleno, recém equipararam-se em algumas esferas, mas ainda ha muito que melhorar. Aquela que outrora lavava, passava, cozinhava, e cuidava dos filhos, hoje faz tudo isso igual e ainda concorre num mercado desleal, onde a sociedade patriarcal irmanada, ainda dita regras dentro de lojas, templos, confrarias, de forma injusta e desleal. Neste 8 de março louvo àquelas que como você, meteram o pé no acelerador da vida e passaram por cima de todas barreiras e preconceitos, atingindo um nível satisfatório em suas relações de trabalho. Ainda há muito que se lutar. Findar com o conceito que mulher é só corpo e sensualidade. Findar com os estigmas que: dirigem mal, reclamam demais, e que se ao amar demais os demais são pejorativamente consideradas volúveis, infiéis. Mulher é tão capaz quanto qualquer homem, assim como qualquer homem também pode ter a capacidade de amar, cuidar do lar, lavar e passar. Somos iguais sem sermos iguais, pois quem ama soma, que ama iguala, quem ama perdoa, quem ama sonha, e juntos constroem um futuro igual, fraternal, liberal e digno. Parabéns pelo dia da mulher - Adilson Di"

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As experiências mais gratificantes que tive foram proporcionadas pelas pessoas mais humildes que conheci

Lembro-me como se fosse hoje de um caso especial que acontecia todo final de ano.

Quando criança ficava numa ansiedade só, esperando pelo "Terno de Reis" que aquele senhorzinho fazia nas residências das famílias do bairro. Ele tinha mais de 100 anos de idade, escravo quando criança, era o chacreiro da área onde hoje é a Vila Pantanal, no Morro Santa Tereza. Durante o ano plantava, criava viveres e tinha a companhia de seus fieis escudeiros peludos (cachorros). Mesmo do alto de seu centenário ainda trabalhava vendendo hortifrutigranjeiros, ovos e ainda fazia pequenos serviços para as famílias do bairro. Sua aparência e vestimentas eram exatamente como a imagem do Preto Velho (aquele das estátuas nas floras e casas de religião de matriz africana, ou para os mais antigos, ele era parecido com o Tio Barnabé, do Sítio do Pica Pau Amarelo). No final do ano colocava sua melhor roupa, pegava sua gaita de oito baixos, colocava o palheiro no bolso e saia pelas casas do bairro fazendo cantorias, até chegar na casa do Sargento (seu filho). Era uma alegria só, pois chegava, pedia licença, louvava o menino jesus, fazia sua apresentação e o pagamento era nosso sorriso, e lógico, uma cachacinha e uns quitutes lhe caiam bem.

Este era um de meus grandes presentes de final de ano, pois alem das cantorias ele ainda contava causos e algumas fábulas, coisas que me encantavam demais.

A vida daquele sujeito e suas histórias fizeram parte dos alicerces de minha formação, estancando em mim quaisquer indícios de preconceito com raça, credo e velhice, que pudessem surgir ao longo de minha vida, pois aquele homem humilde que sofrera e lutara tanto, mantinha em si a alegria pela vida, demonstrando em seus singelos gestos, generosidade e gratidão aos que lhe queriam bem, tornando-o para mim um modelo e um dos heróis de minha infância.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

TEMPO SENTIDO

Tempo. Que palavra é essa que tem vários sentidos?
Sentidos? Mais uma palavra que pode ser rumo ou sensação
São tantas palavras com tantos "sentidos", olha! Mais um significado.
Mas o tempo, ah, o tempo!
Este que não para, pode ser briza ou furação
Naquele tempo, meu tempo não era branco, nem preto, simplesmente nuvem
Nuvem que vagava sem rumo, as vezes encobrindo o sol, noutras regando o caminho
Raramente se via a luz, e por aqui, no chão, mais uma sensação, outra...
Certa feita, um lampejo cruza as densas brumas
um novo raio de esperança paira no ar
veio, entrou, percorreu corpo, imaginação, meu ser
não sei por quanto tempo vai permanecer
mas enquanto precipitar palpitações
meus sentidos não preocupar-se-ão com o tempo
somente seguirão sensações sem rumo
acreditando que sentir é o melhor em todos os sentidos

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O Calipso é a verdade do povo brasileiro


"O Chimbinha é um guitarrista genial, eu particularmente fico ofendido. Sou escritor brasileiro. A língua brasileira é meu material de trabalho. Se vou gastar um adjetivo como GENIAL pro chimbinha, qual que vou usar pra Beethoven? - Ariano Suassuna" 



Nada como ser um gênio, pois ser um jornalista "merdiático" que exalta exacerbadamente certos artistas, atletas e políticos, deveria ser crime, pois são seus textos rebuscados que acabam colocando tais personalidades num pedestal que em geral não merecem. Isso cria uma idolatria fatal que acaba deixando grande parte do povo brasileiro lobotomizado, tornando-os marionetes facilmente manipuláveis em suas escolhas futuras.

Urge novos conceitos sociais baseados numa cultura anti-televisiva, onde os cultuados sejam realmente muito bons no que fazem, tais como os tais Beethoven, Suassuna ou Castro Alves que criam obras memoráveis tais como: 

"Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!..."

terça-feira, 6 de outubro de 2015

mais aulas de CIDADANIA, RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL

Ha poucos dias fiz uma publicação falando das "frases mal colocadas" do nosso Secretario de segurança. Bom, não retiro o que disse, pois mesmo com a prisão dos principais expoentes do crime na cidade, ele falou uma grande bobagem que espero que não se repita.
Quanto ao empenho das forças de segurança em retirar os chefões do crime das ruas, tenho a dizer que precisamos de muito mais, pois o tráfico ainda rola a solta em tudo que é canto, e ontem mesmo vi crianças de no máximo 16 anos portando armamento e comercializando drogas nos arredores do Morro Santa Teresa e noutros cantos da cidade.
Temos que avançar na questão educação e parar de querer implantar matérias exclusivas de condutas homo afetivas nas escolas, bem como diminuir aulas de religião e de outras baboseiras. Temos que incluir urgentemente matérias de CIDADANIA e RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL... o resto é hipocrisia, balela, conversa pra boi dormir...
Educação sexual é apenas um dos vários temas da cidadania e esta aula de tem que abordar alem do tema gênero gays (uns e outros tem defendido a exclusividade deste tema por ai) também toda diversidade que a responsabilidade social tem. Cada um tem que seguir sua gênese, instintos e escolhas, e nada de incentivos tendenciosos. Professor tem que ensinar os jovens a terem autonomia e a vencerem na vida, sem passar por cima de ninguém, nem se acharem melhores ou injustiçados por quem tem um pouco mais que eles. Esta matéria de cidadania tem que abordar alem da questão sexual, também abordar a gravidez responsável, sexo seguro, igualdade racial, religiosa, social, política, acessibilidade, e defender a igualdade entre gordos e magros, velhos e jovens, pobres e ricos, portadores de necessidades especiais e pessoas comuns, enfim... precisamos mais cidadãos dignos e respeitadores de todas as diferenças.
Quanto ao Secretário ter colocado a brigada "finalmente" na rua, acredito que não tenha que ser somente de forma paliativa e temporária, mas sim permanente, constante e efetiva. A polícia tem que abordar a gurizada na rua sim, e que os tais de politicamente corretos (chatos) não venham com papinho que policia esta sendo repressora e defendendo direito das elites, pois eu quero segurança ostensiva pra toda sociedade, inclusive para estes mesmos que estarão sendo abordados. Tenho verdadeira ojeriza a hipocrisia como um todo, principalmente daqueles que usam drogas, pois financiam diretamente o tráfico e o crime organizado. To junto com a galera que defende a legalização da maconha, ao menos o estado arrecada e acaba com a comercialização ilegal deste produto, já que bebidas alcoólicas, cigarro, remédios tarja preta e outros entorpecentes são vendidos livremente, porque não o baseado.
Quero uma cidade segura E IGUAL para todos, independente de credo, sexo, raça, ideologia, condição social ou gênero

reportagem que originou este texto: CLIQUE AQUI

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Questionamentos intermináveis

não, não vou fazer
não, não sou isso
não, nunca fui lá
não, não sei quem é
olhou pra mim? Não vi
Meu celular? O que tem? Pode! Pode olhar.
Quem é esta pessoa? Alguém que conheço.
Por quê ela ligou? Porque queria falar comigo
Por quê ela queria falar comigo? Porque temos assuntos em comum
Que assuntos são estes? Assuntos profissionais, de amizade, carinho...
Se eu tenho carinho por ela? Claro que tenho, é alguém especial
Se ela é mais especial como você? Ela é tão especial quanto você!
Se estou apaixonado por ela? Não, não estou
Olha, to cansado, vou dormir
Se não te amo mais? 
Sim, te amo! Por isso vou dormir, assim evito brigar com você
...? ...? ...?
(lembro que isso aconteceu inúmeras vezes em muitos relacionamentos. Será que isso acontece nos outros ?)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

meus calçados nostálgicos

Andei descalço, usei sapatinhos de croché, sandalhinhas e botinhas ortopédicas.

Usei havaianas, conga, bamba e kichute.

Usei tênis marca diabo, tênis chulezento de meus irmãos mais velhos e outros que depois de estropiados por eles ficavam pra mim.

Desenhei nos meus tênis yatch e num outro parecido que tinha cadarços.

Comecei a trabalhar aos quatorze anos e finalmente consegui comprar meu primeiro adidas três listras (marathon).

Usei all star, nike e outras marcas, mas logo em seguida comecei com botas west coast.

Achei ter chegado ao topo do mundo quando usei tênis branco com meias brancas tipo jogador de tênis, mas o uniforme ficava ainda mais completo com bermuda branca e camisa polo com um jacarezinho no peito.

Época em que ficar igual aos modelos de revistas masculinas (playboy, homem, penthouse...) era o supra sumo da soberba, pois ficávamos melhores do que éramos, mais bonitos, glamourosos com cara de rico.

Ledo Engano, eu ostentava um status que não era a minha cara, pois eu era bem mais feliz quando eu gozava da simplicidade de minha pré adolescência, pois era o período da minha vida em que tudo era brincadeira e que meninas eram legais somente para brincar de pega-ajuda com a gente. Nem pensávamos que meninas pudessem despertar outras tentações que eram resolvidas com nossas próprias mãos quando olhávamos um seio que se expunha na capa da revista.

Quantas vezes eu retornava do matagal na frente de minha casa com meus kichutes tapados de barro, pega-pegas, bosta de vaca, e lá vinha ela, minha rainha, cuidar mais uma vez de mim e de minhas coisas, época que eu nem dava importância para a preocupação que ela tinha comigo.

Hoje sei o quanto cada gesto simples daquela que me dera a luz era importante. Cada surra que tomei me tornou um homem melhor. Cada bronca uma evolução. Cada carinho era compensado com um sorriso.

Congas lembram-me dos tempos em que meu bairro ainda era área rural, onde tinham agricultores, trabalhadores, contadores de histórias e lendas. Muitas histórias que de vez em quando brotam das profundezas de minha memória, como aquela do preto velho que em todos natais fazia o terno de reis em nossa casa, só para ganhar uma cachacinha e um agrado de nossa família.

Que saudades do meu bamba, momento em que as meninas da escola me olharam com outros olhos, aqueles olhos de ó, ele evoluiu.

Meu kichute me lembra que um dia tentei jogar futebol, ser corredor e saltar em altura. Também lembra dos amigos que nem sei mais quem são, mas que um dia brincaram nos parques da vida. Lembra da goleada que tomamos quando tentamos montar nosso primeiro time de futebol. Eu era tão ruim como jogados que me colocavam no gol ou na reserva, mas na reserva era legal, porque eu onde eu ficava aprontando todas enquanto os mais habilidosos ficam lá a chutar bolas e canelas.

Que nostalgia que meus caçados me trazem, deu até vontade de comprar um kichute, mas o chulé que eu tinha, nunca mais quero ter.

Será que eu era mais feliz quando meus pés não cheiravam bem, quando minhas pernas eram cambitos cheios de feridas, quando minha cara tinha muitas espinhas, e todos os dias eu jantava na presença de meus pais e irmãos?

Não sei, o tempo passou, ele e ela se foram, eles não jantam mais comigo, mas eu continuo a andar, mesmo com outros tipos de calçado sem grifes, mas cá estou para poder registrar que por meus pés já passaram-se calçados, amores, família, caminhos, experiências e hoje são lembranças e saudades de tempos de outrora.