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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Somos tomates na feira digital do amor: entre matches, ghosting e a pobreza emocional dos aplicativos de relacionamento

Pode parecer engraçado à primeira vista, mas talvez os aplicativos de relacionamento funcionem exatamente como uma grande feira emocional. O feirante monta sua banca separando os tomates mais feinhos primeiro, colocando-os na base da pilha, enquanto os mais bonitos vão ficando por cima, cuidadosamente organizados para chamar atenção. As pessoas passam, observam, comparam, analisam valor, aparência e possibilidade. Caminham entre dezenas de bancas procurando sempre o melhor tomate, mesmo cercadas por centenas de outros “vegetais diferentes”. Porque, no fim, quem quer tomate continuará procurando tomate (padrões repetitivos de comportamento). E talvez seja exatamente assim que estejamos vivendo nossas relações hoje: transformando pessoas em produtos expostos numa vitrine digital, onde todos desejam ser escolhidos, mas poucos realmente permanecem. 🍅🍅🍅

Definida a banca, começa o ritual da escolha. O consumidor pega um tomate, olha, vira, aperta, devolve. Pega outro. Esse parece verde demais. O outro já parece maduro demais. Então vai escolhendo cuidadosamente quais tomates levar para casa. E talvez seja exatamente isso que fazemos nos aplicativos: analisamos rostos, frases, gostos, músicas, signos, distâncias, estilos de vida, como quem examina frutas numa feira tentando encontrar a combinação perfeita entre desejo, expectativa e idealização.

E talvez o detalhe mais curioso seja que ninguém entra numa feira procurando apenas alimento. Procuramos validação da própria escolha. Queremos sentir que fizemos o melhor negócio, que encontramos o melhor tomate pelo melhor valor. Nos aplicativos acontece algo parecido. Não basta encontrar alguém interessante. Precisamos sentir que escolhemos “bem”. Que conseguimos acessar alguém desejado, bonito, inteligente, raro. O match deixa de ser apenas conexão e passa a funcionar também como validação emocional, estética e social.

A lógica deixa de ser afetiva e passa a ser mercadológica.

As pessoas começam a fazer marketing de si mesmas. Escolhem cuidadosamente as melhores fotos, editam partes da personalidade, escrevem biografias estratégicas, escondem inseguranças, exibem experiências, viagens, gostos musicais e estilos de vida como quem organiza uma embalagem para competir numa prateleira. O amor contemporâneo começa a adotar linguagem de publicidade. Já não basta ser interessante. É preciso parecer interessante em poucos segundos.

E o algoritmo entende isso perfeitamente.

Os aplicativos foram construídos para manter pessoas consumindo possibilidades. A dinâmica não incentiva profundidade; incentiva permanência na plataforma. Quanto mais rostos aparecem, mais o cérebro acredita que talvez exista alguém melhor logo adiante. Surge então a ilusão da abundância infinita. Nunca houve tantas possibilidades de encontro e, paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil permanecer.

Porque escolher alguém hoje significa, psicologicamente, abrir mão de milhares de outras possibilidades disponíveis na tela.

E o excesso de opção gera ansiedade.

A pessoa conversa com alguém enquanto imagina quem poderá aparecer no próximo deslizar de dedo. Cria-se um estado emocional permanente de comparação. Nenhuma conexão consegue amadurecer totalmente porque todas competem contra infinitas alternativas imaginárias. O relacionamento deixa de ser uma experiência de construção e passa a funcionar como teste constante de satisfação.

Talvez por isso tanta gente viva cansada emocionalmente.

Estamos hiperconectados, mas profundamente fatigados. Conversamos com dezenas de pessoas sem necessariamente criar intimidade real com nenhuma delas. Consumimos pequenas doses de validação instantânea: um match, uma curtida, uma resposta rápida, um elogio. São pequenas descargas emocionais que alimentam o ego momentaneamente, mas raramente constroem permanência.

Lembrei de um vídeo engraçado, mas profundamente simbólico. A mulher escolhia os tomates e os colocava na sacola. O marido pegava exatamente o mesmo tomate da sacola e devolvia para ela como sugestão. Então ela recusava o tomate e o jogava novamente no meio dos outros, simplesmente porque não tinha sido ela quem escolheu. A cena se repetia até ela perceber que sua própria sacola estava vazia. Furiosa, brigava com o companheiro sem perceber que havia descartado exatamente aquilo que já tinha escolhido antes (LINK).

Talvez exista algo muito contemporâneo nessa cena.

Queremos escolher tudo sozinhos. Quando alguém valida demais, sugere demais ou facilita demais, o encanto desaparece. A autonomia da escolha parece valer mais do que a própria escolha. Existe quase uma erotização da conquista difícil. Quando algo parece facilmente disponível, perde valor simbólico. O desejo contemporâneo parece funcionar mais pela excitação da busca do que pela experiência da permanência.

Bom, aqui somos tomates.

Estamos ali para sermos escolhidos. Dependendo do gosto de quem passa pela banca, podemos despertar interesse ou sermos completamente ignorados. Às vezes somos levados para a sacola. Outras vezes ficamos esquecidos entre centenas de opções semelhantes. E mesmo quando somos escolhidos, isso não significa muita coisa. Vamos para a fruteira da casa de alguém e permanecemos ali, esperando.

Esperando uma conversa continuar.
Esperando um convite acontecer.
Esperando que o interesse sobreviva aos próximos matches.
Esperando não sermos apenas mais uma possibilidade guardada para depois.

Talvez essa seja a grande tragédia emocional dos aplicativos: eles não criaram apenas novas formas de encontro. Criaram também novas formas de adiamento. As pessoas acumulam contatos como quem abastece uma despensa emocional. Matches viram estoque afetivo. Conversas ficam em suspensão. Vínculos permanecem em banho-maria enquanto novas possibilidades continuam surgindo infinitamente na tela.

Criamos uma espécie de “fruteira emocional contemporânea”.

Pessoas guardadas para depois.
Conversas interrompidas.
Relações em estado de espera.
Afetos congelados pela abundância de opções.

E então o tempo passa.

O consumidor sai para jantar fora. Recebe outros convites. Conhece novos tomates em outras bancas. Alguns daqueles tomates escolhidos continuam esquecidos na fruteira. Até que um dia ele olha novamente e percebe que já passaram do ponto.

O destino final é o descarte.

E talvez o ghosting seja exatamente isso: o descarte silencioso daquilo que perdeu utilidade emocional antes mesmo de amadurecer como vínculo. Sem explicação. Sem encerramento. Sem elaboração. Apenas o desaparecimento lento de alguém que antes parecia interessado.

O problema é que ninguém passa ileso por isso.

A repetição constante dessas experiências cria insegurança afetiva, medo de vulnerabilidade e dificuldade de entrega. As pessoas começam a entrar nos aplicativos tentando evitar sofrimento, mas acabam reproduzindo exatamente as mesmas dinâmicas que as feriram. Tornam-se mais defensivas, mais superficiais, mais rápidas, mais descartáveis.

E então acontece algo perigoso: começamos a consumir pessoas da mesma forma que consumimos conteúdo.

Rápido.
Fragmentado.
Ansioso.
Substituível.

Talvez a pior parte disso tudo seja perceber que não somos apenas os tomates esquecidos. Também somos os consumidores. Também escolhemos, comparamos, adiamos, ignoramos, acumulamos e descartamos pessoas sem perceber. Criticamos a superficialidade enquanto deslizamos rostos com o dedo. Reclamamos da falta de profundidade enquanto mantemos dezenas de conversas mornas ao mesmo tempo. Nos tornamos participantes ativos de uma lógica emocional baseada na abundância, no imediatismo e na constante sensação de que talvez exista alguém melhor logo na próxima rolagem de tela.

O sociólogo Zygmunt Bauman chamava isso de relações líquidas: vínculos frágeis, flexíveis e facilmente substituíveis (link trabalho científico sobre assunto). Mas talvez hoje já tenhamos ido além da liquidez. Talvez estejamos vivendo relações em estado de vitrine. Relações que precisam parecer interessantes o tempo inteiro para não serem descartadas.

E no meio dessa feira digital do amor, algumas perguntas começam a ecoar silenciosamente:

O que estamos fazendo aqui?
Isso realmente leva alguém a algum lugar?
Ainda temos coragem de construir permanência?
Ainda sabemos aprofundar vínculos?
Ou nos acostumamos apenas a consumir pessoas emocionalmente?

Talvez o problema não esteja apenas nos aplicativos. Talvez esteja em nós. Na maneira como aprendemos a desejar sem permanecer, consumir sem aprofundar e substituir sem elaborar. Transformamos relações humanas em experiências rápidas, organizadas numa vitrine infinita de rostos, expectativas e projeções.

No fim, talvez a maior pobreza dos aplicativos de relacionamento não seja a falta de opções.

Talvez seja a falta de presença.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

NAMASTÊ

Dezenas de pessoas tem dito que sonharam comigo. Algumas de meu convívio, outras que nunca mais tive contato e algumas nem mesmo me conhecem. Meu ser agradece profundamente por me trazerem seus relatos. Cada um é recebido com muito carinho e interpretado da melhor maneira possível.

Alguns me questionam sobre minha fé. Digo-lhes que desde menino sigo a doutrina cristã, tendo minha base na igreja católica, mas com muitas influencias externas, tais como budismo, kardecismo e outras doutrinas de paz e amor, montando talvez, uma crença só minha, da existência de um ser superior a toda compreensão humana, um Deus universal, um Deus que está em tudo e em todos.

Conseguimos desmembrar o núcleo de um átomo e várias partes, nosso corpo é um universo de zilhões de átomos, então como posso achar que sou o centro do mundo. Ainda, se meu planeta faz parte do sistema solar, que é uma galáxia gigantesca formada por milhões de outros corpos celestes, e que existem zilhões de outras galáxias, como é que vou achar que existe um Deus tão mesquinho que só cuide dos humanos? Acredito sim que "Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia - William Shakespeare".

Você crente talvez diga que a Bíblia é a única verdade, o cientista talvez diga que a revista científica é a unica verdade, ou talvez o ateu diga que não exista nenhuma, mas eu acredito sim na existência de uma energia vital que une todo o cosmo. Como vou limitar-me a uma Bíblia que só tem foco no humano, se acredito que os animais não são só meros víveres para alimentação humana, mas que eles tem alma como a gente, pois choram, ficam felizes, amam. Como acreditar num livro que só cita os vegetais como ponto de referência, se as árvores procriam, respiram, choram. Como acreditar num livro que não chama a poluição do planeta de pecado? Enfim, nestes dois mil anos desde a última transcrição da Bíblia, já vieram tantos novos profetas, que ta na hora de acrescentarmos novas verdades a nossas vidas limitadas, ainda mais nestes tempos de tantos falsos profetas.

Amigos, se até bem pouco tempo atrás não acreditavam na comunicação por telefone e a bem menos tempo não acreditavam que poderíamos mandar coisas instantâneas pela internet, como é que vamos ser descrentes que exista uma comunicação extrassensorial com outros mundos, outras formas de vida, outros conceitos e coisas imateriais?

Enquanto tento evoluir na minha vã filosofia, agradeço em forma de oração, mantras, rezas, mentalizações, vibrações positivas a todos que conectam-se comigo seja no mundo real, virtual ou espiritual.

Que o meu Deus esteja unido eternamente com vosso Deus.

Namastê


segunda-feira, 4 de julho de 2016

NEM UM LADO, NEM OUTRO, SÓ A VERDADE

"O dinheiro pode nos dar conforto e segurança, mas ele não compra uma vida feliz. O dinheiro compra a cama, mas não o descanso. Compra bajuladores, mas não amigos. Compra presentes para uma mulher, mas não o seu amor. Compra o bilhete da festa, mas não a alegria. Paga a mensalidade da escola, mas não produz a arte de pensar. Você precisa conquistar aquilo que o dinheiro não compra. Caso contrário, será um miserável, ainda que seja um milionário - Augusto Cury". Luiza Brunet, mulher linda, famosa, que chegou ato topo da piramide, casando-se com um dos homens mais ricos do mundo, publicou esta frase após o vergonhoso termino de seu relacionamento com o milionário Lírio Parisotto. Como em briga de marido e mulher não se mete a colher, não defenderei nem um lado, muito menos o outro. Apenas fico triste, pois tenho visto todos os dias dezenas de publicações como esta, principalmente por aquelas pessoas que confundem valores com preço. Num mundo em constante evolução, onde as pessoas tem estudado tanto as coisas existenciais, orientando-se por filosofias transcendentais, praticando mantras, técnicas de meditação e pedindo iluminação afim de atingir seu nirvana (estado de libertação atingido pelo ser humano ao percorrer sua busca espiritual), como é que elas ainda pensam tanto em si mesmas, recebendo mais que doando, pedindo mais que compartilhando, enfim, ainda é necessário muitos sansaras (ciclos de renascimento e mortes) até que a pessoa enfim entenda que é "...dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado..." Se você encontrou o amor, tem que cuidar dele, torná-lo pleno, sublime, superior a qualquer outra questão existencial. O amor deve prevalecer sob qualquer aspecto, principalmente fazer com que o amor seja liberto, feliz, harmônico, cúmplice, desapegado, fiel, verdadeiro, ou seja, incondicional. Ame todos os dias; conviva mais com as diferenças; reconheça seus erros e suas falhas humanas; peça perdão sempre que possível; agradeça a todos que lhe fizerem a menor gentileza, mesmo que seja desviar de você na rua; seja gentil e cortês com todos; esteja feliz e tranquilo em todos lugares, sejam eles simples ou sofisticados; caminhe por entre as pessoas sem julgá-las; curta o músico na rua, o artista na sinaleira, até a música que não é de sua preferência, pois ela pode ter uma mensagem pra você; ria com amigos, sozinho, de si mesmo; brinque com a caneta, com a bolinha de papel, com o ato falho que aconteceu; priorize a harmonia e viva a plenitude de seu ser. Queira menos, tenha menos, possa menos. Defenda mais obrigações do que direitos, defenda a natureza, os bichos, a água, o ar, a vida. Vamos fazer de nossa vida um exemplo para a vida dos outros, quem sabe a soma de nossos exemplos trará um mundo muito melhor para todos nós. Vá que, se nosso mundo for melhor, finalmente não venhamos a conhecer outros tão bons quanto o nosso. Namastê